Posts Tagged 'Morgan Freeman'

Truque de Mestre (Now You See Me)

Despretensioso e divertidíssimo, Truque de Mestre
é entretenimento da mais alta qualidade

Nas peles de Jesse Eisenberg, Woody Harrelson, Dave Franco e da luminosa Isla Fisher, quatro mágicos de diferentes habilidades são convidados a um encontro marcado – o convite é uma carta de tarô. Um ano depois, o quarteto se encontra formado em Las Vegas, exibindo grandiosos números.

Numa dessas apresentações, a plateia é levada à loucura. Acontece que a trupe consegue o feito de assaltar um banco de Paris – um sujeito aleatório é transportado, num passe de mágica, à sede parisiense enquanto todo o dinheiro do cofre, também num passe de mágica, cai sobre o público do espetáculo.

Não demora para que um agente do FBI (Mark Ruffalo), com a ajuda de uma novata da Interpol (Mélanie Laurent), tente desvendar o tal número – que, evidentemente, é tido como crime. Ninguém, contudo, tem ideia de como montar esse quebra-cabeça; nem um especialista em desmascarar grandes truques (interpretado por Morgan Freeman), muito menos o milionário que patrocina o quarteto (papel de Michael Caine).

Truque de Mestre (Now You See Me, 2013), que estreia nesta sexta-feira no país, vem de uma safra ressuscitada anos atrás – por longas como O Grande Truque, O Ilusionista e até mesmo Scoop – O Grande Furo –, que aparentava ter desaparecido: o filme de mágico. O que não quer dizer, entretanto, que ele pretenda permanecer ao lado de seus colegas de gênero.

Escrito por três roteiristas (entre os quais Boaz Yakin, que dirigiu obras como Um Preço Acima dos Rubis e Duelo de Titãs), a palavra de ordem aqui é entretenimento; e entretenimento da mais alta qualidade. Sensatamente, o filme ignora qualquer resquício de pretensão – comum em tramas feitas para testar a capacidade de adivinhação do espectador – e aposta noutro truque: o de divertir.

Com a ajuda de um impecável elenco estelar, o diretor Louis Leterrier acerta em cheio na decisão. Nascido em Paris, Leterrier trabalhou por anos ao lado de famosos cineastas, sobretudo Luc Besson. Até Truque de Mestre, o diretor jamais havia alçado voo (é dele, por exemplo, a refilmagem de Fúria de Titãs). Como nem toda lição se aprende da noite para o dia, o francês custou a encontrar a origem de seus deslizes. Mas, ao contrário do próprio Besson, finalmente entendeu que não se levar a sério demais ainda é o grande truque do cinema de entretenimento.

Angelo Capontes Jr.

Oblivion

No bom Oblivion, o diretor Joseph Kosinski prova não ser um esteta de personagens – mas compensa de outras formas

Se fosse possível medir a temperatura de filmes, Oblivion (idem, 2013) certamente estaria sofrendo de hipotermia. Assim como em Tron – O Legado, o diretor Joseph Kosinski faz aqui um trabalho visual dos mais notáveis dos últimos tempos. Mas, também como antes, retira qualquer temperatura dos corpos, em geral calorosos, de seu elenco.

No longa que estreia nesta sexta-feira em todo o país, a Terra foi invadida por alienígenas, que destruíram a lua. Os humanos venceram a guerra, mas perderam o planeta; todos os habitantes foram mandados para Titan, em Saturno. Subsistiram: Jack (Tom Cruise) e Victoria (Andrea Riseboroug), numa estação espacial.

Jack sai, diariamente, em expedições para conservar água – que está sendo deslocada para a lua de Titan. Mas, ao contrário de Victoria, não se sente pronto para deixar a Terra. E quando Julia (papel da ótima Olga Kurylenko), outra sobrevivente, chega ao local, Jack descobre que nem tudo é o que parece nessa catástrofe.

Oblivion foi adaptado de uma graphic novel coescrita pelo próprio diretor. É de se estranhar, portanto, que falte calor ao filme. Se Garrett Hedlund era um ator pouco experiente em Tron, o fato de Tom Cruise encabeçar o projeto anula qualquer dúvida de que fria mesmo é a mão de Kosinski – ao menos, no que toca a delineação e o desenvolvimento emotivo de seus personagens.

O que não elimina, contudo, os superlativos da obra. Como a concepção visual do ambiente, por exemplo, que é de uma originalidade apetecível. Ou a cadência implacável entre uma e outra sequência de ação. Até mesmo o desfecho previsível desce fácil. É lamentável, dessa forma, que as interpretações acabem servindo de complemento à atmosfera do longa – e não o oposto.

Só a ucraniana Olga Kurylenko confere alguma energia real ao projeto. Um feito muito mais ligado ao talento e instinto da atriz do que ao tato do diretor. Esse mesmo instinto, decerto, faria de Oblivion uma experiência ainda mais arrebatadora – e de Kosinski um dos grandes nomes do cinema atual.

Angelo Capontes Jr.

Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge

De planos bem arquitetados e roteiro afiadíssimo,
é feito o último e – sim – melhor capítulo de Batman.
O resultado prova, o mundo precisa de heróis

Como prova de que nem tudo resiste ao tempo, até mesmo um super-herói carece de transformações. Já se foi o momento em que uma figura com poderes, um representante da ordem e da segurança, estava livre dos problemas humanos – mais graves que estes, problemas gerados por humanos em sociedade, na qual estrutura é uma palavra aparentemente desconhecida.

O caminho, portanto, apresenta alterações de percurso. O que se vê no mundo cinematográfico não se distancia mais do mundo de carne e osso. A ficção, nota-se, anda sendo não mais um universo paralelo, e sim uma pintura – às vezes de cores gritantes – do palpável, do verossímil. Perfeitamente justificável. Se a sociedade, por exemplo, crava uma luta diária contra o mal (presente num sem-número de lados), não é preciso cavar muito para encontrar uma ideia relevante.

Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge (The Dark Night Rises, 2012), desde sexta-feira em cartaz em todo o país, prova, não há sequer uma fagulha de otimismo debaixo de seus argumentos. Se possível, o filme é ainda mais pessimista que seu antecessor. E, talvez por isso, ainda mais genial.

O ceticismo tem seu ponto de partida, mais uma vez, pela composição do próprio herói. Amargurado pela morte de Rachel Dawes, Bruce Wayne (Christian Bale) encontra-se recluso há oito anos. Estado ainda mais prejudicado pelo final inverídico que a figura do homem-morcego acarretou com o falso heroísmo de Harvey Dent, para que uma lei fizesse sentido nos arredores de Gotham City. O retorno de Wayne se dá com o vilão Bane (Tom Hardy), que toca o caos pela cidade, e possui planos dos mais perturbadores.

Batman, que fecha uma trilogia de respeito, conta com várias fontes de energia. A começar pelo escalão de atores – alguns exímios. Quem já fazia parte do show, continua nos trinques (com destaque, neste capítulo, para o fenomenal Michael Caine, em emocionante atuação). Já os novos integrantes reforçam o resultado com caprichadas interpretações. Anne Hathaway, na pele de Selina Kyle, a Mulher-Gato, está fantástica. Assim como Joseph Gordon-Levitt e Marion Cotillard; ele, notável no papel do policial Blake, ela, super controlada como Miranda Tate.

Depois, a virtuosidade técnica implacável, que não é uma forma de engrandecer o projeto, mas de favorecer o roteiro – mais afiado do que nunca. O que se prova com esses dois elementos tão distintos é que, quando utilizados de maneira competente, eles são o casamento perfeito para o sucesso.

Por último, e o maior dos embates, a visão realista pela qual uma história em quadrinhos é reproduzida. O que impressiona é o modo como a sensação do ficcional causada pela figura heroica desaparece. Em seu lugar, uma nova leitura é feita – a de que, em meio ao caos, nada mais reconfortante do que o sentimento de segurança oferecido por uma figura enigmática.

Indício de que todo o pessimismo existente no desenrolar de Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge é mais que provável, a tragédia da qual ele próprio serviu de cenário. O massacre na sala de cinema, no Colorado, só reforça aquela que é a grande ilação do filme: a paz pode não ser inatingível, mas está – lamentavelmente – longe do alcance do ser humano.

Angelo Capontes Jr.

Winter – O Golfinho

Sem nadadeira: história de superação

Winter mostra que Hollywood é também
capaz de tirar a magia do mundo real

Winter – O Golfinho (Dolphin Tale, 2011), que estreia nesta sexta-feira no país, é mais um exemplo de como uma interessante história verídica pode ser diminuída pela adição exagerada de açúcar.

É o caso de uma golfinho que teve a nadadeira amputada e voltou a nadar com a ajuda de uma prótese. No filme, o fato é contextualizado a partir de um tímido garoto de 11 anos que encontra o animal machucado na praia. A equipe logo leva Winter ao hospital aquático da cidade e começa um tratamento. Sem muita esperança, a situação parece mudar quando o jovem chega ao local e constrói uma forte relação de amizade com o mamífero.

O problema aqui é que Winter é ofuscada por temas dos mais esquemáticos possíveis como abandono paternal, vítima de guerra, falência dos negócios e até mesmo uma tempestade devastadora. O filme dirigido pelo ator Charles Martin Smith mergulha na fórmula convencional dos melodramas e, infelizmente, enfraquece uma grande celebração da vida.

O elenco, composto de bons nomes como Morgan Freeman, Ashley Judd e Harry Connick Jr., ajuda a dar mais entusiasmo e livrar um pouco da impressão esquemática causada pelo excesso de clichês da obra.

Ainda que consiga transmitir a mensagem de que é preciso se ter vontade de viver, Winter é uma prova de que Hollywood é capaz de tirar uma boa parte da magia das surpresas do mundo real. Ainda sim, é um filme recomendado para pessoas de todas as idades. Principalmente, àquelas que não se importam com tanto enchimento, pois a história do golfinho é, sem dúvida, emocionante.

Angelo Capontes Jr.

Red – Aposentados e Perigosos

Willis e Parker: talentosa, ela rouba a cena

Red é a prova de que nem sempre quem tem
jogo de cintura é quem tem experiência

Por Angelo Capontes Jr.

Quando um elenco como o de Red – Aposentados e Perigosos é reunido, pensa-se em algo grande já que não são todos os dias que atores como Morgan Freeman e Helen Mirren juntam-se com alguns outros (não tão) bons para levar o público ao cinema. E não são todos os dias, também, que um elenco renomado é desperdiçado num filme tão sem personalidade com este.

Quem lidera o time é Bruce Willis. Ele é um agente aposentado da CIA, que conheceu sua futura namorada (a excepcional Mary-Louise Parker, de Weeds) por telefone, e está sendo procurado por um assassino. Junto com ele, e além da moça que nada tem a ver com a história, outros reclusos da agência: Freeman, Helen e John Malkovich. O filme vai tratar, então, da fuga dos ex-agentes.

Quem dirige a adaptação da HQ é o alemão Robert Schwentke, que tem dois bons trabalhos anteriores: o suspense Plano de Voo, com Jodie Foster, e, melhor ainda, o romance Te Amarei Para Sempre. Dois trabalhos que provam a mão firme do diretor. Este aqui, por outro lado, mostra o contrário, pois o alemão se perde durante o filme e o transforma num híbrido estranho.

Já na parte cênica, quem desaponta são os veteranos. Mesmo divertidos, nenhum diz exatamente a que veio. Fica a cargo de Mary-Louise Parker salvar as piadas com seu talento e seu timing perfeito.

Enfim, Red falha numa boa parte das piadas, decepciona com explosões e perseguições anêmicas e malbarata bons nomes. Mas pior que isso é a falta de jogo de cintura dos veteranos. É triste reconhecer, mas se não fosse por Mary-Louise, o filme seria um desastre.


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