Como Arrasar um Coração

Vanessa e Duris: química, talento e muito charme

O modesto e charmoso Como Arrasar um Coração
mostra que comédia romântica simples nunca sai de moda

Não é novidade o engajamento do cinema francês quando o assunto é a comédia romântica. Volta e meia, a França produz títulos que são provas concretas de que não é obrigatório ignorar o gênero apenas pela falta de originalidade. Por essa insistência – e por talento genuíno – alguns filmes são arrebatadores. É o caso deste Como Arrasar um Coração (L’arnacoeur, 2010).

A história se desenrola nas aventuras de Alex (Romain Duris, de Albergue Espanhol), um homem cujo trabalho é destruir corações (como sugerido no título). Utiliza seu charme para derreter a vítima e fazer com que ela pule fora da relação. Com a ajuda da irmã (Julie Ferrier) e do cunhado (Francois Damiens), estuda os gostos das mulheres antes de atacar.

Como Arrasar vai contar o envolvimento específico entre Alex e Juliette (Vanessa Paradis, também cantora – inclusive intérprete original de Joe le taxi, regravada e traduzida aqui no Brasil por Angélica – e esposa de Johnny Depp), uma mulher prestes a se casar. A tarefa do herói vai ser acabar com o casamento em dez dias, a pedido do pai da moça.

Se a premissa é razoável, o filme é mais que isso. Esse primeiro longa para cinema do diretor Pascal Chaumeil é dono de uma modéstia e uma despretensão vigorosa. É um filme que desce do pedestal para explorar o que há de melhor no gênero: as risadas e a química entre os pombinhos. Além disso, tem propriedade daquilo com que mexe – inclusive a citação de Dirty Dancing, uma das cenas mais belas da obra.

Duris é, atualmente, o ator escolhido para representar o gênero na França. E honra o cargo: é engenhoso, carismático e tem um timing impecável. Tão talentoso que não é ofuscado nem mesmo por Vanessa, que além de ótima cantora, é atriz formidável e de presença marcante.

O resultado, enfim, é somente positivo. Como Arrasar um Coração é um exemplo de que não é preciso de muito para contar uma simples história de amor. Pretensão é démodé. Ao abdicar dela, um paradoxo delicioso do cinema francês: não se levando a sério, acaba sendo muito mais respeitável.

Angelo Capontes Jr.

Anúncios