Amizade Colorida

Mila e Timberlake: boa química e bastante carisma

No divertido Amizade Colorida, um casal de amigos
tenta se livrar dos problemas amorosos com sexo

Não é propriamente uma novidade este arremate do relacionamento amoroso em favor do sexo sem envolvimento afetivo. Mesmo no cinema, há menos de um ano Sexo sem Compromisso contou uma história similar a de Amizade Colorida (Friends With Benefits, 2011), que estreia nesta sexta-feira em todo o país. Mas o filme estrelado por Mila Kunis e Justin Timberlake é dono de uma abordagem tão original que é fácil para o espectador ignorar a sensação déjà-vu ou até mesmo os chavões do gênero.

É uma história em que tentativas frustradas de construir uma relação resultam numa decisão imediata de ir contra a maré e praticar sexo casual. A protagonista Jamie é uma caça talentos que convence o talentoso Dylan a ir para Nova Iorque e aceitar o trabalho de editor na revista GQ.

Ela vai ser a única amiga do rapaz, já que ele é novo na cidade. Conversa vai, conversa vem, Dylan propõe então a tal amizade colorida do título nacional – que, para quem ainda não sabe, envolve dois amigos abertos ao sexo e somente a ele, livres de qualquer comprometimento. O que no começo funciona bem vai se transformar no que parece óbvio para amigos que se gostam tanto.

O diretor Will Gluck (do também ótimo A Mentira, com Emma Stone – que faz uma participação aqui, logo no início) procura fugir de todas as armadilhas do gênero. Consegue, principalmente, por nunca levar o filme a sério demais. E também por fazer algo assumidamente adulto, sem eufemismos ou falso pudor ao falar sobre sexo.

Surpresa também são as tramas paralelas que rondam a história, como a da mãe de Jamie (Patricia Clarkson) que incentiva a filha nessa decisão. Ou a que envolve o pai do protagonista (Richard Jenkins) sofrendo de mal de Alzheimer. E sem contar com o editor gay de esportes (Woody Harrelson), conselheiro sentimental de Dylan em cenas que rendem boas risadas.

É dirigido de modo não convencional (as cenas com os flash mobs são particularmente divertidíssimas), muito bem escrito e levado pela talentosa dupla – em especial Mila, que vem se mostrando uma verdadeira estrela, cheia de carisma e personalidade – , que tem bastante química. Assim como seus personagens, Amizade Colorida é um filme aberto a novas ideias. Por isso também dá tão certo.

Uma grande surpresa e até então a melhor comédia romântica do ano.

Angelo Capontes Jr.