Belas e Perigosas

Uma atriz feita.

Reese Witherspoon é completa: talentosa, cheia de personalidade e dona de uma simpatia inegável. Mais do que isso, ela aprendeu a ser uma grande atriz: em seu início promissor, Reese acenava com algo um tanto misterioso – talvez uma mistura de sua própria personalidade com um desejo visível de fazer grande.

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Agora, tudo ganhou forma superlativa na carreira da atriz. E ela é, sim, a única responsável por isso. Ao contrário de artistas que recebem alguma benesse – um diretor que descubra uma maneira de tirar o melhor deles, por exemplo –, Reese fez tudo sozinha. O Oscar que recebeu por Johnny e June, aliás, é todo dela, já que o próprio projeto não tem metade de sua individualidade.

Ao contrário da maioria dos premiados pela Academia, porém, Reese não estacionou depois do prestígio. Ano passado, entregou sua melhor interpretação – e a melhor do ano, por sinal – em Livre. No filme do diretor Jean-Marc Vallée, Reese entendeu que não há limites para que uma atriz se transforme, de fato, em uma mulher.

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É um trabalho tão esplêndido em suas particularidades que assusta. E nem para por aí: hoje, Reese escolhe seus projetos a dedo – e se envolve em cada um com o máximo de dedicação possível. Um porém: uma atriz não precisa de milagre para mostrar talento, mas precisa menos ainda de um roteiro como o de Belas e Perigosas.

Dirigido por Anne Fletcher (do promissor A Proposta e outros títulos não tão mágicos), o filme é tudo o que você já viu. Com uma ressalva: uma atriz compromissada com a tarefa de tirar água de pedra. E não é que ela tira?!

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Reese, aqui, é uma policial empenhada na função, que descobre um esquema de corrupção e precisa, a certa altura, proteger a mulher de um criminoso. Essa mulher, interpretada por Sofia Vergara, torna-se responsabilidade da policial, que vai correr meio mundo a fim de resolver o caso.

Belas e Perigosas é aquela comédia policial com tudo fora do lugar, que só se encontra em alguns momentos. Sofia é sempre Sofia – e funciona com uma alta dose de histeria e caretas. Já Reese está realmente engajada: tenta se distanciar do roteiro mal escrito para dar contorno a uma personagem que, nas mãos de outra atriz menos avisada, ficaria perdida. Está aí a lição: o resultado de um filme é mesmo mutável, mas não o esforço de uma atriz – esse deve sempre ser inabalável.

Angelo Capontes Jr.

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