O Quarto de Jack

Novo mundo.

Dez metros quadrados. Esse é o mundo de Jack, um garoto que acabou de completar cinco anos. Para ele, espaço não é problema: as coisas são aconchegantes e, mais importante, familiares. Também essa mesma metragem limita os passos de Ma, mãe do garoto.

room 1

Assim como a definição sugere, Ma é aquela mãe que faz tudo pelo filho – e atinge, em O Quarto de Jack (Room, 2015), proporções de afeto quase inéditas. No filme do diretor Lenny Abrahamson (de Frank), esses dez metros equivalem ao espaço do qual mãe e filho não podem sair: trata-se de um cativeiro em que os dois vivem – ou fingem viver.

Adaptado do livro homônimo da escritora irlandesa Emma Donoghue (que aqui trabalha no roteiro, e isso é de ajuda visível ao projeto), o filme desvenda o olhar de uma criança presa a um mundo restrito. Mais interessante ainda é a quebra dessa restrição: é aí que Jack começa a entender – tão cedo mas também tão tarde – que aquele mundo apresentado a ele era apenas uma minúscula partícula de toda a vastidão que ele, finalmente, poderá explorar.

room 2

Sem nunca perder o propósito, O Quarto de Jack tanto comove como provoca aflição. Só faz isso com tanta excelência, porém, graças a seus dois atores: o talentoso Jacob Tremblay e, sobretudo, Brie Larson – a grande favorita para levar o Oscar de Melhor Atriz na próxima cerimônia. Nada mais justo: aqui, Brie não somente está um espetáculo, mas dá uma lição daquelas em estrelas que andam sofrendo da síndrome de Narciso. Talento e desafeto continuam, sim, sendo o maior superlativo de todos.

Angelo Capontes Jr.

Anúncios